AS COMPETIÇÕES OFICIAIS SÃO
BENÉFICAS PARA AS CRIANÇAS ?
RUFFONI Ricardo (1) (2) (3) (5)
FREITAS Alexandre Motta de (1) (2) (4)
O objetivo do presente trabalho foi averiguar os
aspectos positivos e negativos das competições
oficiais, quando dirigida às crianças.
A metodologia foi de natureza qualitativa. A amostra
compreendeu um grupo de 60 crianças praticantes
de judô, na faixa etária de 08 e 11 anos
( X = 10 anos) na cidade do Rio de Janeiro - RJ, durante
o período de três meses. Parafraseando
FEIJÓ (1985), a competição que
tempera a ficha do caráter. O esporte tem na
competição a sua grande meta e o judô
enquadra-se a esta. Entretanto, com o surgimento excessivo
de clubes e academias, que dão maior ênfase
às competições, observa-se uma
tendência de valorização do campeão
e desvalorização dos menos talentosos,
implicando na formação precoce de futuros
talentos. Esta atitude, além de contrariar
os princípios sócio-educativos, foi
considerada negativa no que concerne à formação
de futuros cidadãos e atletas. Segundo WEINECK
(1999), as crianças não são adultos
em miniatura, nem suas atividades esportivas um treinamento
para adultos reduzidos. Procura-se interpretar por
que numerosos campeões infantis nem sempre
alcançam a faixa preta e ainda se esse processo
pode acarretar problemas de ordem psicológica,
que acabam por influenciar fortemente o indivíduo.
Conclui-se que não é fácil a
realização de um trabalho educacional
aliado à participação em competições
oficiais. Ao nosso ver é de grande valia neste
processo uma conscientização acadêmica
por parte dos profissionais, a fim de que os mesmos
tenham condições de habilitar a criança
para a tarefa, pois a ansiedade estará sempre
presente no indivíduo e quando ele é
colocado à prova, no caso da competição,
esta tende a aumentar. Este grau de ansiedade irá
variar de criança para criança, do nível
da competição e da própria personalidade
do indivíduo. Outro ponto relevante foi o trabalho
paralelo de conscientização dos pais
frente a uma nova postura das relações
de poder durante essa prática e como os próprios
praticantes passaram a perceber o outro, antes, durante
e após a competição esportiva
do judô.
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