Rio de Janeiro, 05 de fevereiro de 2012
 
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:: Artigos ::

AS COMPETIÇÕES OFICIAIS SÃO BENÉFICAS PARA AS CRIANÇAS ?

RUFFONI Ricardo (1) (2) (3) (5)
FREITAS Alexandre Motta de (1) (2) (4)

O objetivo do presente trabalho foi averiguar os aspectos positivos e negativos das competições oficiais, quando dirigida às crianças. A metodologia foi de natureza qualitativa. A amostra compreendeu um grupo de 60 crianças praticantes de judô, na faixa etária de 08 e 11 anos ( X = 10 anos) na cidade do Rio de Janeiro - RJ, durante o período de três meses. Parafraseando FEIJÓ (1985), a competição que tempera a ficha do caráter. O esporte tem na competição a sua grande meta e o judô enquadra-se a esta. Entretanto, com o surgimento excessivo de clubes e academias, que dão maior ênfase às competições, observa-se uma tendência de valorização do campeão e desvalorização dos menos talentosos, implicando na formação precoce de futuros talentos. Esta atitude, além de contrariar os princípios sócio-educativos, foi considerada negativa no que concerne à formação de futuros cidadãos e atletas. Segundo WEINECK (1999), as crianças não são adultos em miniatura, nem suas atividades esportivas um treinamento para adultos reduzidos. Procura-se interpretar por que numerosos campeões infantis nem sempre alcançam a faixa preta e ainda se esse processo pode acarretar problemas de ordem psicológica, que acabam por influenciar fortemente o indivíduo. Conclui-se que não é fácil a realização de um trabalho educacional aliado à participação em competições oficiais. Ao nosso ver é de grande valia neste processo uma conscientização acadêmica por parte dos profissionais, a fim de que os mesmos tenham condições de habilitar a criança para a tarefa, pois a ansiedade estará sempre presente no indivíduo e quando ele é colocado à prova, no caso da competição, esta tende a aumentar. Este grau de ansiedade irá variar de criança para criança, do nível da competição e da própria personalidade do indivíduo. Outro ponto relevante foi o trabalho paralelo de conscientização dos pais frente a uma nova postura das relações de poder durante essa prática e como os próprios praticantes passaram a perceber o outro, antes, durante e após a competição esportiva do judô.

 


>> comentários
(1) Mestrando em Ciência da Motricidade Humana/PROCIMH/Universidade Castelo Branco(UCB-RJ )
(2) Laboratório de Estudos do Esporte( LABESPORTE)
(3) Técnico da Federação de Judô do Estado do Rio de Janeiro-Faixa Preta 5º Dan
(4) Prof. Instituto de Educação Clélia Nanci - RJ
(5) Especialista em Judô